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   17.12.07  
(Des)Construindo Manaus:


Quando fui chamada no trabalho para ir a Manaus não associei o nome à pessoa. Não tinha caído a ficha que ia para a internacionalmente famosa Amazônia. Como ia a trabalho e não sabia o ritmo que a coisa teria, se haveria tempo de fazer passeios turísticos, torci muito para ter tempo de visitar pelo menos dois locais: o Museu do Seringal e o famoso encontro das águas, embora não fizesse idéia do que seria isso exatamente.
Embora tenha conseguido cumprir minha agenda tanto de trabalho, quanto de passeios pré-programados, as impressões sobre Manaus foram bem maiores das que eu esperava.

Cheguei a Manaus de manhã, do avião comecei a ter noção da grandeza da floresta tropical. É imensa. Eu não entendia quando falavam que por dia se desmata tantos (não sei a quantia exatamente, mas sei lá, 10, 5) Maracanãs de selva amazônica. A grandeza, numero de maracanãs, é bem prática pra mim quando tenho que pensar em quantidade ou tamanho. Morei 30 anos a 10 minutos desse estádio e o freqüentei o suficiente pra comprovar que o bicho era grande mesmo. Mas não entrava na minha cabeça uma floresta, que vinha a anos sendo desmatada em escala maracanenses, ainda existir. Mas pense em algo grande. Eu não tinha noção... é maracanã até o fim do mundo... é muita coisa...

Quando a gente chega a alguma cidade de avião o que vemos é o traçado da cidade, as ruas, os prédios mais altos que se destacam. Mas o que vemos chegando a Manaus é uma profusão de verde cortada por água e mais água serpenteando a floresta. Só isso já vale a viagem bem cansativa, devido às conexões que se tem que fazer para chegar ate Manaus. Desci no aeroporto e já senti o calor subindo pelo corpo. É muito quente esta cidade. A mais quente de todas que eu já estive, e olha que eu já estive no sertão nordestino.

(comentário etnocêntrico, os passageiros do avião parecem ser na maioria traficantes bolivianos).

O aeroporto não tem aquela tecnologia dos aeroportos modernos, como o de Recife ou Brasília. É tudo bem simples. O ar é parado. Os rostos são de miscigenação indígena não comum a nós do sul / sudeste, ou mesmo do nordeste. A paisagem começa a mudar. É a realidade de Manaus se mostrando. Pego um táxi, e numa tarifa tabelada, pago 49 reais até o centro da cidade. O táxi pega uma pista larga, longa e asfaltada cercada de verde para os dois lados. É a floresta marcando sua presença. O táxi anda alguns minutos e começo a ver placas de anúncios, prédios, lojas, sinais e engarrafamento. Passamos pelo shopping, o único da cidade, e continuando, chego ao centro.

O centro de Manaus é decadente, sujo e quente. Existem poucas árvores. Na verdade, fora da floresta, quase não se tem árvores. Você não vê também animais. Nem uma mísera ave. Urubus apenas. Conta? Chega a ser engraçado. Uma cidade sede da floresta amazônica não ter árvores, nem pássaros. Os carros são novos, os ônibus precários, barulhentos e soltam fumaça demais. Mas há ônibus para tudo quanto é canto, pelo menos andei por partes diversas da cidade. Pontos distantes um do outro, pois Manaus é uma cidade espalhada, e havia ônibus para todos os lados. Os prédios, fora alguns que foram restaurados, como por exemplo, o Teatro Amazonas e outros casarios da época do ciclo da borracha, é preservado e bonito de se apreciar. De resto a cidade parece cenário de filme americano querendo retratar o Brasil. Prédios velhos, sujeira, pessoas pingando suor, vestidas no estilo anos 80. Me lembrou Cuba, embora nunca tenha ido a Cuba, mas se um dia for, acho que vou encontrar algo semelhante a Manaus, menos quente, creio eu. Pois sendo uma ilha, os ventos marítimos sempre servem pra arejar um pouco melhor a cidade.

Em Manaus todo mundo parece estar tentando explorar algo/alguém. Qualquer um que tenha um empreendimento seja ela qual for, uma agência de turismo, uma barraquinha na feira, um restaurante... Talvez essa seja uma impressão errônea, minha. Mas foi o que ficou. Nada também me provou o contrário dessa minha idéia. Ninguém também parece ter maior comprometimento. Os serviços são extremamente precários, o custo de tudo é alto demais. Até o peixe, que deveria por lógica ser barato, é caro. Os restaurantes comuns têm comida de péssima qualidade. Existe, claro, os bons lugares pra se consumir uma boa comida. E nossa, se você acerta o lugar, você se delicia com uma costela de tucunaré, uma sardinha na brasa, um pirarucu assado de lamber os beiços. Os peixes são enormes e gostosos. Parecem bois, devido ao tamanho. Sem brincadeira! Pena poucos serem aqueles que sabem prepará-los realmente. E a apresentação é pobre. Poderia ser rústica, mas não. É pobre mesmo. Feito botequim pé de chinelo. Com cadeiras e mesas de plástico. Com tanta madeira ali, sendo cortada... mas a madeira em Manaus é cara. é rara também. Quem explora a mata manda pra fora. Manaus não fica com nada.

Apesar do aparente caos. Bem, não é caos total, mas um certo caos devido ao descomprometimento de todo mundo. Ninguém esta interessado em prestar bons serviços, de te conquistar. Não vi indícios de violência e nem pobreza urbana, como mendigos pela rua e pivetes te assaltando. O que vi são alguns índios, caboclos, dormindo no chão protegido por alguma marquise. Mas o que me falaram é que esses moradores de rua são passageiros. São apenas pessoas que vieram do interior, e por interior se entende todos os povoados e municípios que ficam pra dentro do rio. Essas pessoas vêm, atravessam o rio, mas, às vezes, ficam sem dinheiro pra voltar ou não há embarcação mais no dia pra fazer a travessia de volta e então eles ficam perambulando pela cidade e acabam dormindo ao relento mesmo.

Não há estrada. A Amazônia é isolada. Só se chega nela ou de avião ou por água. Só há uma, talvez duas, cidades que você pode acessar por estrada, de resto o rio é o caminho. Tanto que, atravessando o rio você vê pelo caminho posto de gasolinas flutuantes, mercadinhos flutuantes. Tudo é o rio. Mas não há nada regularizado nos diversos portos. Portos é ate eufemismo. . Os portos são apenas praias (de rio) com embarcações dos diversos tipos ancoradas, ou melhor, amarrada por uma corda. Não há horários fixos de saída de embarcações. Você chega e espera lotar. O quanto isso vai demorar ninguém parece estar muito preocupado.

Para tudo você tem que pegar algum meio de transporte fluvial. E Manaus é o centro. Então, muitos são aqueles que vêm do interior para comprar suprimentos alimentícios, móveis, carros, e qualquer outra coisa... tudo transportado por alguma embarcação. Para mim isso é uma grande novidade. Você quer ir pra outra cidade, vai até um porto, pega uma embarcação e lá vai viagem... São 12 horas. Uma noite inteira. Três dias... uma semana. São as medidas de tempo pra se chegar a qualquer outro lugar dentro do estado do Amazonas. Isso intensifica a falta de contato do amazonense com outras pessoas além das da sua própria região. As informações chegam por tv, jornal, mas uma troca real é bem difícil. A maioria nunca saiu do estado, às vezes, nunca sairam de Manaus ou dos seus municípios. A troca se dá com as pessoas que estão de passagem. E parece que quem está de passagem só quer explorar aquela área. A carência e a falta do poder do estado intervindo faz com que a exploração se torne algo fácil.

Mas voltando ao rio, que é o personagem principal de Manaus. O rio é um mar. Pra deixar mais fácil aqui o entendimento. É algo grandiosos. A linha do horizonte é água e floresta. Até onde seu olho pode alcançar o que você vê é água e floresta. Você chega a acreditar que esta num mar. Para mim, que rio até pouco tempo era um canal que cortava a cidade ou então o rio São Francisco - que quando eu conheci fiquei bestificada - , com os rios da Amazônia eu custei a assimilar que estava num rio. Como pode ser tão grande? É fantástico. É uma paisagem nova que se abriu para mim.

ps: viajei sem câmera fotográfica. que lástima. por isso a ausência de fotos.

(continua)



   3.12.07  
Mais um vídeo.
E viva a poesia!!!